Problemas domésticos e nerdices

13 de junho de 2007

Só a TV me entende

Tem gente que me acha engraçada. Esse é certamente o maior elogio que eu poderia receber. Desde criança tudo que eu sempre quis era ser engraçada.

Eu cresci assistindo seriados. Lembro da Sessão Comédia da Globo, que foi uma das primeiras coisas que eu lembrei na TV. Tinha Super Vicky, minha irmãzinha. Isso porque dizem que eu digito como ela.

Tinha o Alf, a família Huxtable, com o Bill Cosby, que reaprendi a respeitar recentemente, dezenas de seriados de comédia. Eu nunca gostei muito de drama.

Crescer rodeada desses personagens quis dizer crescer ouvindo diálogos cuja única finalidade era a punchline. Aquela tirada às vezes desconcertante, às vezes absurda que dá sentido ao resto da conversa. Ou retira o sentido completamente. O que importa é que é o que aciona a claque, aquelas risadas fakes que sempre aparecem nos sitcoms. Eu sempre esperei ardentemente pela claque nas minhas conversas.

Sitcom, aliás, é uma palavra que eu aprendi na Capricho, na época de Barrados no Baile, quando fizeram uma matéria falando do programa e chamaram o seriado de sitcom. Eu nunca nem imaginava. Situation Comedy. Vamos concordar que Barrados no Baile não tinha nada de comedy.

Voltando ao assunto. Toda minha infância e adolescência foi pontuada por diálogos que acabavam em risadas. Até em MASH, um dos meus favoritos, que era sobre a guerra da Coréia, a claque dominava. Hawkeye Pierce e Trapper McIntire sempre tinham uma pérola sarcástica para acabar com qualquer argumento da Frank ou da Major Houlihan, mesmo durante uma cirurgia tensa que podia matar um soldado de 15 anos. Como eu posso levar a vida a sério tendo esse tipo de background?


Eu tendo a sempre ver um lado irônico, ou a tentar não levar pro lado ruim, ou a confiar que as pessoas estão fazendo aquilo pela piada. Eu estou.

Nenhum comentário: