Problemas domésticos e nerdices

21 de agosto de 2007

10 Trilhas de Filmes Que Não Vi

Teve um tempo em que eu colecionei trilhas sonoras. Hoje eu só coleciono mp3, o que não é a mesma coisa, já que não tem capinha. Mas eu colecionava tanto que comprava trilhas de qualquer filme, mesmo que não tivesse visto. E algumas vezes eu dava sorte.

Eu já peguei algumas trilhas bem vagabundas. Inclusive de filmes que eu já havia visto, mas meu impulso obsessivo não me deixava não comprar. Mesmo sabendo que eu nunca iria ouvir.

Então, no meio dessa coleção, há uma série de trilhas de filmes que eu nunca vi, mas que eu adoro. Não digo filmes clássicos, como "Um Golpe de Mestre", que eu nunca vi, mas que tem músicas que são sinônimo de Robert Redford. Esses são filmes que eu nunca vi porque nunca ouvi falar, ou porque quando saíram pareciam chatos demais. E, possivelmente, são.

1. Ruas de Fogo












Quem viu, fala que é demais. Eu não vi, mas não gostei da capa. Não gosto de universos industriais onde você tem que lutar pela sua sobrevivência se defendendo de um governo opressor controlado por capitalistas desalmados. Pela capa do CD, eu tenho 99% de chance de acabar com um filme assim nas mãos. O que ninguém pode negar é que o Fire Inc. foi a banda do momento quando criou Nowhere Fast e a irmã-quase-gêmea-univitelina que também está na trilha, Tonight Is What It Means To Be Young. Não me dou ao trabalho de ver o filme por conta de I Can Dream About You, do Dan Hartman. É uma música ótima, mas que não N-A-D-A a ver com o resto da trilha. Assim sendo, aposto que ela aparece numa cena em que a mocinha sai de moto com o irmão mais velho ou o pai, que proíbem ela de ver o namoradinho, mas ela sai sorrindo na garupa da moto e ele fica lá na calçada, sorrindo e pensando... cue "I Can Dream About You" e imagens dos dois num mundo feliz e gramado.


2. The Real Blonde











Eu odeio o Matthew Modine. Roubou o nome do Matthew Broderick, me fez pensar que era o Patrick Dempsey jovem em alguns filmes, me enganou algumas vezes. Não caio mais nessa. Por isso, eu nem cogito assistir The Real Blonde.

A sorte do filme é que a trilha sonora tem algumas das bandas desconhecidas mais decentes que eu já tive a chance de ouvir. Space, que eu só conhecia da colaboração deles com o Catatonia em "The Ballad of Tom Jones" (que tem a melhor letra de assassinato/celebridade pop do mundo), faz umas músicas ótimas e a do disco "Neighbourhood" é sombria e alegre ao mesmo tempo, se isso é possível. O Yello, velho conhecido dos fãs do Ferris Bueller, só cantava Oh Yeah, mas canta mais algumas frases no disco, num ritmo mega-atual, mas bem oitentista, quase um Locomia americano. A música parece perfeita pra ficar de tocaia num bar de strip, à espera de um senador bêbado para chantagear. E, claro, a música A Martini for Mancini, que devia ter em todos os filmes do mundo. Qualquer filme pode se beneficiar de ter uma cena em que um par de pilantras invade uma festa na casa do alvo e acaba se juntando à fila da conga. E essa é a trilha sonora.

3. I Can Get It For You Wholesale












Não tenho muito o que dizer dessa trilha, especialmente porque é de um musical da Broadway, e não de um filme. Como eu nem nunca ouvi falar do musical da Broadway, acho que vale. As músicas seguem o padrão genérico de musicais, com letras vagamente sarcásticas e de situação, seguindo a narrativa e ponto. Mas, qual outra trilha sonora poderia me informar que a Barbra Streisand, apesar do nariz e do sotaque do Brooklyn, nasceu em Madagascar? É incrível, é muita cultura num CD só.

Ah, a peça fala sobre uma fábrica. Like you care.

4. Trouble Every Day












Eu só queria esclarecer que o Vincent Gallo ainda me é um desconhecido. Talvez se eu tivesse visto Brown Bunny, e tivesse gostado, eu tivesse procurado assistir esse filme. Mas, dado que tudo que eu ouço do Vincent Gallo é que ele leva as coisas longe demais, e esse filme se tratando de pessoas que acreditam ser vampiros, fica pra próxima, belê?

No entanto, a trilha inteirinha é do Tindersticks. Essa é uma das melhores bandas não categorizadas que eu já conheci. O jazz mais triste, o rock mais cruel, o blues mais indignado, eles tem tudo. E a voz do Stuart Staples, que rivaliza com o Stephin Merritt em quão baixo se consegue levar um tom. Não basta ser audível apenas para pigmeus do Kalahari, é preciso inovar.

O tema de amor, de amor não tem nada, mas tem melodias lindas, assim como a música de encerramento. Mas se você não gosta de sangue, não compre o CD. O encarte e a capa estão cheios de paredes e pessoas sangrentas, mais até do que você encontra num filme de terror médio.


5. The Avengers












Você sabe que está sendo enganado quando abaixo do título do filme a trilha sonora traz "Music from AND INSPIRED BY...". Apesar disso, a trilha é bem boa. Eu não quero saber exatamente como eles se inspiraram no filme, que foi baseado no seriado, pra fazer a trilha, mas deu certo.

Stereo MCs, que é sempre uma banda que consegue melhorar o nível das coisas, Grace Jones em estilo apocalíptico com a The Radio Science Orchestra, uma música horrível da Annie Lennox... Eu já não gostava da Annie Lennox fora do Eurythmics mesmo, não me importo.

Vou dizer que eu adoro o Ralph (lê-se rêife) Fiennes e a Uma Thurman, e ainda ela está usando uma roupa muito moderna e ele está muito elegante, embora pareça que eles estão em filmes diferentes e eu não sei bem como isso se encaixa no seriado original, ou mesmo num filme, e quem pode ser contra toda essa estética anos 60-se-for-retrô-então-é-moderno do filme, não eu, claro, eu sou totalmente a favor. Mas a vontade de ver o filme é zero, ainda assim. Tanta quanto eu tenho de assistir nossa próxima sugestão...

6. The Waterboy












Adam Sandler. Eu preciso pensar agora... eu adoro ele. Mas filmes em que ele é um paspalho que dá uma sorte enorme e muda completamente de vida, mas precisa lutar contra todos os filhos da puta que querem tirar a grana dele ou mesmo tirar somente o seu orgulho, que é o que ele tem de mais importante na vida... É, não tem muito o que pensar. Esses filmes já encheram. Me dêem mais Embriagados de Amor ou Como Se Fosse A Primeira Vez. Eu amo o Adam Sandler. Mas eu espero que ele nunca mais faça essas comédias aleatórias.

Não preciso nem entrar no IMDB pra saber que ele deve ser um cara acima dos 30, loser completo e irrestrito, que tem um emprego de bosta, mas de repente descobre uma herança/talento/profissão e torna-se do dia pra noite um dos caras mais pops do momento. Só pela pose dele segurando os baldes na capa do CD eu já sei.

Para dar um crédito pra ele, Afinados no Amor era excelente, Paizão também. Mas, mais do que isso, todas as trilhas que são produzidas pelo Adam Sandler são fantásticas. 90% anos 80, 20% coisas que eu nunca ouviria e que, por diversas razões, realmente são legais. E com Waterboy, é isso que rola. Só que a proporção é um pouco diferente: 80% anos 70 e 20% coisas legais que eu não imaginava que eram legais. Tem Creedance, Earth, Wind & Fire, Doors e... Tom Sawyer! Viva o MacGyver.

7. Babe - O Porquinho na Cidade Grande












Eu vi o Babe, o primeiro. Não era especial. Não era enternecedor. Era um filme com um porco falante. Babe não chega nos cascos do Porco-Aranha. E o que faz um porco pastor de ovelhas querer ir pra cidade é algo que escapa à compreensão.

Interessante notar que minha obrigação de comprar trilhas sonoras rendeu. Mesmo com um porco e um ganso falantes envolvidos. A trilha tem uma das minhas 294 músicas favoritas de todos os tempos: That's Amore, do Dean Martin. Como é possível não gostar de uma música que começa assim: "When the moon hits your eye, like a big pizza pie, that's amore!"?

Além disso, tem Chattanooga Choo-Choo, com Glenn Miller, sua orquestra e os Modernaires, um clássico. Aliás, quem viu Música e Lágrimas sabe do que eu tou falando. Tem até Edith Piaf, cantando Non, Je Ne Regrette Rien, que quando eu ouvi da primeira vez, achei que era um coro de ratinhos cantando e que era piada. E se isso tudo não bastar, tem uma musiquinha original, cantada pelo Peter Gabriel, mas que é Randy Newman demais pra mim.

8. Grace of My Heart












Esse é um que eu gostaria de ver. Tem o John Turturro, que pra mim devia ser elevado à condição de deus e banhado em Leite Ninho. O Matt Dillon, com cara de nerd, franjinha e tudo, faz-me rir, e o Eric Stoltz, eu só lamento. É errado ser tão ruivo, meu cérebro não compreende. E tem a Illeana Douglas, fazendo cara de todos-querem-me-comer na capa do disco. Embora eu ache pouco provável.

Mas quem pode errar com Burt Bacharach e Elvis Costello?

Mas da parte que não é café-com-leite, J Mascis é uma banda muito fofa. Take a Run At The Sun é das músicas que eu pretendo gravar num CD pra quando eu finalmente fizer a grande viagem de carro. Num conversível, que de Palio não combina. E a outra banda que deve ser do filho do produtor, pelo número de faixas ocupadas por eles, é For Real. Combina bem com o clima da capa: vocais Motown, bate-palminhas na faixa "I Do", toda aquela sensação de alguém passando numa scooter com livros presos na garupa. Very cool, very nice.

9. Gun Shy












Na capa do CD tem a Sandra Bullock, um cara que diz ser o Liam Neeson, mas é mentira, um cara que eu achei que fosse o Luiz Guzmán, mas é o Oliver Platt de barba, e uma arma com gatilho em forma de coração. How original.

Não gosto da Sandra Bullock. Na verdade, eu não gosto de muita gente. A vida é assim, né? Uns dias a gente ganha, e tem gente que a gente odeia.

A trilha mais essa capa super-elegante dá um feeling de "somos todos criminosos e enganamos uns aos outros, mas no fim eu me apaixono por ele e ele por mim e nós queremos deixar a vida do crime, mas um chefão quer nossa cabeça, mas é tudo muito engraçado, porque no fim, o amor prevalecerá". Bob Schneider, que abre o disco, tem uma voz excelente, bem fora-da-lei mesmo. Se ele quisesse roubar um banco, eu totalmente acreditaria que ele tem experiência no assunto.

10. Heavenly Creatures












Eu estou ciente que esse filme não é desconhecido, e que tem a Kate Winslet criancinha. O que me levou a comprar o CD foi a dica de uma amiga minha, que era mega-fã do filme. Não sei se ela ainda (é, Déa?), mas a trilha ficou, principalmente porque tem Mario Lanza. Por mais brega que ele seja, ele é o Mario Lanza. O Justin Timberlake da ópera.

E tem vários trechos de óperas do Puccini. Eu gosto de ópera. Adoro a palavra ópera. Ópera, ópera, opera, opêra, operá, pópara, e por aí vai. Ópera. Perdeu o sentido a palavra.

Se minha amiga ainda não tiver, dou o CD pra ela, que vai aproveitar bem mais do que eu. E eu já ripei.

2 comentários:

Lello disse...

O Adam Sandler é mó chatão!
Bjs

Andréa Z. disse...

Sou... Já tenho em dvd "incrusivemente"... :)