Problemas domésticos e nerdices

19 de janeiro de 2008

Yamandu Costa biônico

Fui ao show do Yamandú Costa com o Hamilton de Holanda. Os dois tocam muito. Simplesmente inegável a química que existe entre eles, e como eles conseguem se comunicar sem trocar uma palavra. E são ambos mestres, virtuosos sem serem patéticos como o Malmsteen.

Quando o Yamandu toca, fica difícil ver as mãos dele. Rápido demais. Ele movimenta as mãos do mesmo modo que o Super-Homem uma vez voou em volta da Terra para parar o tempo. Se eles continuassem tocando, tenho certeza de que tudo começaria a acontecer mais devagar até que tudo pararia e nos seriamos jogados pra fora do globo pela inércia.

Mas uma coisa que me veio a cabeça quando estava assistindo foi o seguinte: ele tem um controle absurdo sobre onde os dedos dele devem ir pra fazer uma música bonita e tocar milhões de notas ao mesmo tempo. Ele consegue guardar centenas de melodias completas na cabeça. Ele não tinha partitura, nada. Só saía tocando. Basicamente, o cérebro dele e as mãos estão em total e irrestrita sintonia.

Continuando o raciocínio, e se, e apenas e se, existisse um gênio violonista como ele, um cara sensacional, mas que perdesse a mão num acidente. Triste e tal, mas e blá, existindo tecnologias pra criar novos dedos, será que ele conseguiria imprimir a mesma emoção, técnica e qualidade na música?

Será que seria como tocar com a mão de outra pessoa? Ou como comandar um computador a fazer algo? Por mais que seu cérebro seja o controlador dos impulsos da prótese, quão fidedigno será o impulso do cérebro quando chegar ao fim do caminho?

Um computador pode jogar xadrez e ganhar de um mestre. Um computador pode se tornar um virtuoso da música? Pode improvisar, fazer uma jam com um outro músico? Isso já nada tem a ver com os dedos biônicos não. Fico pensando na sintonia entre o Yamandú e o Hamilton. Pode um computador ser programado tão sofisticadamente que ele perceba intenções num olhar, para poder jammear?

Incrível tudo isso que a tecnologia já pode fazer hoje pela humanidade, e mais incrível ainda e o quanto ainda existe para ser feito. Supondo que será feito, claro. Mas algumas coisas são melhores como mistérios da vida. Não quero que descubram como ser genial em algo apenas acoplando uma máquina. Não quero viver na Matrix.

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