Problemas domésticos e nerdices

18 de fevereiro de 2009

Revendo a decisão de fazer parte do mundo adulto

Quando eu acabei a faculdade e resolvi me mudar pra morar sozinha não foi difícil. Parecia ótimo ter meu próprio canto, e poder decidir a decoração, e qualquer outra coisa que tivesse que decidir. Problema todo mundo tem e a vida não tá fácil pra ninguém, e o que eu tive que resolver, eu resolvi (com muita ajuda dos meus pais).

Nessa época eu morava num apartamento que pertencia aos meus pais, então não tinha contrato e o aluguel era camarada.

Quando eu eventualmente resolvi me mudar para outra parte da cidade, fiz um contrato de aluguel, e foi a coisa mais adulta que eu já fiz. Até mesmo o carro que eu comprei antes não me deu essa sensação. Ter um contrato com meu nome, fechado com terceiros (estranhos)... nada é tão assustador quanto não atingir as expectativas de um estranho.

Mas sobrevivi, me acostumei com o lugar e sempre consegui manter uma boa relação com o proprietário.

Daí eu resolvi comprar um apartamento, e foi a coisa mais adulta que eu já fiz. Primeiro, procurar e decidir num pedaço de terra (nem é terra, comprar um apartamento é comprar paredes sobre/abaixo a cabeça de alguém), fazer um acordo para gastar uma grana que você não tem e convencer o banco de que você realmente vale aquela grana. Depois, fazer uma reforma, por menor que seja. Contratar serviços, analisar a qualidade do serviço prestado.

E eu achava que a vida adulta era boa, afinal, eu sobrevivi às coisas mais assustadoras (ter filhos ainda é uma coisa surreal).

Até que eu fui à minha primeira reunião de condomínio.

Acho que, a única maneira da discussão ser produtiva é se todas as perguntas fossem feitas com os participantes numa cabine do Domingo no Parque, onde eles só ouvissem música e dissessem "Siiim" ou "Nãaaao".

A reunião de condomínio, num prédio antigo como o meu, é mais uma lavação de roupa suja sobre pendengas que correm há décadas do que uma reunião de deliberação sobre assuntos do condomínio.

E isso deve mesmo ser inevitável. É como reunião de família no Natal ou aniversário de alguém, quando uma pessoa reclama de algo e outra lembra que é o roto falando do rasgado, "porque você lembra quando, em 98, você disse que não iria dividir com a gente aquele presente"... e começa a briga.

Em poucos momentos (ou muitos, lentos e dolorosos momentos) você percebe quem é amigo de quem, quem já tretou com quem, quem apóia o síndico, quem odeia o síndico, e, acima de tudo, quem é o síndico e se você deveria apoiá-lo ou odiá-lo.

E a discussão não progride. Seis assuntos na pauta podem se arrastar por quatro dolorosas horas. É um debate eleitoral sem tempo estabelecido para exposição, réplica ou tréplica. E onde a opinião dos eleitores importa muito pouco.

Minha decisão é de me manter completamente à parte disso. Meu tempo e meu cérebro valem mais do que tomar parte em discussões mesquinhas. Eu estou abrindo mão do meu direito de dar opinião para poder conservar minha sanidade mental.

Essa é provavelmente a única razão para se comprar um prédio na planta. No previous history. Crie seus próprios problemas com outros condôminos.

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