Problemas domésticos e nerdices

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28 de outubro de 2007

Felicidade não é finalidade

"But I now thought that this end [one's happiness] was only to be attained by not making it the direct end. Those only are happy (I thought) who have their minds fixed on some object other than their own happiness[....] Aiming thus at something else, they find happiness along the way[....] Ask yourself whether you are happy, and you cease to be so." (p. 94) -- John Stuart Mill

in: Paradox of hedonism

Os vivos sempre trabalham com suposições. Você desce pro litoral supondo que não vai chover, compra mais pão do que pode comer no momento porque supõe que vai ter fome mais tarde, e assim, sucessivamente, até que a morte nos separe.

Eu, pessoa comum, trabalhei sempre com a suposição de que meu objetivo na Terra era ser feliz. Que tudo tinha que ser feito para colaborar com a busca da felicidade, que não digo eterna, porque a idéia toda é atingir a felicidade, não passar a vida procurando por ela. E, que uma vez atingido este objetivo, eu seria um ser iluminado, que estaria para sempre satisfeita com a vida, porque eu tinha felicidade.

A felicidade não é um extrato de planta que você pode guardar e beber quando dá sede. Não é um absoluto, não é palpável e, agora eu posso dizer com certeza, não é objetivo.

Trouxice a minha pensar que felicidade era algo que se alcançava, que se mantinha uma vez conseguido, e que era só achar. Mas você tem que concordar que parece ser isso. A publicidade te diz que é isso, a TV, toda essa pataquada. Difícil achar um comercial que não proponha entrar em contato com a felicidade simplesmente comprando um produto novo. Pode ser que alguns não proponham a felicidade-produto, mas certamente propõe a felicidade-agora-com-nove-vitaminas-e-ferro.

Sempre tem alguém por perto que vê quando você está tentando loucamente conseguir algo que não depende só de você (como um namorado ou a iluminação espiritual) e diz "se você parar de tentar, vai conseguir". Quer dizer então que para poder ter, não posso querer? Douglas Adams já tinha dito isso, no terceiro livro do Mochileiro das Galáxias. Se você quer voar, não pode pensar no objetivo, tem que se deixar levar. Quando você efetivamente se dá conta de que está voando, você vai. Quando você analisa se é feliz, você deixa de ser. Ou é isso que o John Stuart Mill quer que eu acredite.

É realmente um paradoxo. Para ser feliz eu não posso querer ser feliz. Ou não posso tentar. E se eu seguir um caminho qualquer sem mirar, estranhamente, eu vou atingir a felicidade. Está a um passo de ser um Ardil 22.

Mas voltando à minha história de fé e coragem: eu sempre achei que ser feliz era finalidade, era a razão de tudo, era a única utilidade de se estar vivo. E, olhem só, não é.

Isso porque felicidade é algo que não é absoluto, é algo relativo. O que é ser feliz pra você? Pra mim eu não sei bem. É ver a Lua gigante lá fora, isso é bem feliz. Mas não é a felicidade absoluta que eu achava que um dia ia achar. E, quando você pára de se cobrar por não ter atingido ainda essa felicidade absoluta, a vida fica bem mais vivível. Pra mim, o caminho da felicidade é me divertir, rir, me apaixonar e aprender muitas coisas. Pra outra pessoa, pode ser comer um pedaço de cada panettone já produzido no mundo, ou pisar em terra em cada um dos continentes. Como já dizia a Aimee Mann, "I don't understand, I guess it takes all kinds...".

Eu parei de me cobrar pela minha felicidade absoluta, empírica. Parei também de cobrar a vida por não me deixar encontrar essa idéia de jerico que eu inventei. Agora, eu sou zen. A felicidade não é um prato de coxinhas, que eu posso tocar, mas um prato de coxinhas está carregado de felicidade.


Importante: fui procurar uma fotinho pra ilustrar esse post de auto-ajuda genérica (no fim, coloquei algo ainda mais genérico, o kanji de felicidade) e o resultado foi catastrófico. A gente vive num mundo de Power Point. Em alguns meses, todas as reuniões de trabalho vão mostrar um Power Point com paisagens e frases bregas e sem nexo atribuídas ao Arnaldo Jabor. Como se ele se importasse com a amizade, a alegria e a lágrima.

23 de outubro de 2007

Laurinha muda de idéia e a Fitinha do Bonfim

Todos os dias eu mudo de idéia. Eu mudo de idéia porque eu sempre penso de novo sobre tudo. Eu estava pensando essa semana sobre um tema que eu queria desenvolver em um mestrado ou doutorado, e eu mudei de idéia sobre um aspecto específico, depois de ouvir algo que um amigo meu falou.

Eu penso o tempo todo sobre as coisas que me afligem. Ou melhor, sobre as coisas que me acontecem, e sobre as que eu quero que aconteçam e como vou fazer pra que elas sejam. Então, na segunda-feira eu tava pensando de um certo modo sobre um aspecto x da minha vida. Hoje eu mudei de idéia, principalmente porque eu pensei quais eram minhas prioridades na vida, e também porque uma amiga minha deu uns conselhos essenciais. Sem o que ela me disse, eu estaria ainda pensando em outra direção.

E tem outra ainda. Eu cheguei à conclusão de que minha fitinha do Bonfim sabe o que está fazendo. Eu coloquei ela no pulso quando um amigo voltou da Bahia, me trouxe ela. Fiz os pedidos de praxe; eu sempre peço o mesmo. Eu tinha o péssimo costume de ficar desgastando a fitinha, querendo que os desejos se realizassem logo. Isso porque eu achava sempre que quando ela cai, a festa começa.
Só que desta vez eu comecei a pensar: como funciona uma fita do Senhor do Bonfim? Será que no momento em que ela se destroça e cai o pedido se realiza ou ele vai se encaminhando para a realização enquanto a fitinha vai se desgastando?

Se a resposta for a opção 1, obviamente eu deveria ter tudo que pedi no momento em que ela desmancha. Mas o espaço pra trapaça é muito grande. Então, eu mais uma vez mudei e idéia, e resolvi acreditar que ela vai trabalhando seus caminhos misteriosos da fé e da indústria da lembrancinha enquanto o tempo passa. No dia em que ela naturalmente cair, é o dia em que meus desejos já estarão todos realizados e ela pode finalmente seguir seu ciclo natural de vida.

Com isso, eu percebi que ela desgastou rapidinho. Fé é punk. Ela continua aqui, mas é engraçado como o universo tem seu jeito de corrigir o curso, como disse o Desmond no "Lost". Ela está desgastando muito mais rápido do que em qualquer das outras vezes e cada vez mais as coisas vão melhorando. Dúvidas, angústias, preocupações e afins sempre existem, mas as coisas estão sempre melhorando. E a fitinha se desfazendo.

E foi há cerca de três semanas que a fitinha parou de desgastar e eu já não notei nenhum novo estrago nela.

Fiquei pensando comigo "que saco, acho que toda fitinha chega num ponto em que não cai nunca, e toda essa história de desejos é uma balela". Mas, como eu disse antes, a fitinha está fazendo seu trabalho.

Eu comecei a pensar "que catso, não vou realizar nenhum dos desejos, caramba, que vidinha, por que eu? se nem a fitinha do Bonfim quer me ajudar"... quando me dei conta. Pimba! Um tijolinho de epifania se fez e acertou-me bem onde estão os pontos da cirurgia. Faz três semanas e pouco que meu caminho bifurcou e eu não sei pra qual estrada ir. Brega, eu sei.

Mas foi isso. Eu me dei conta de que o que eu tinha desejado estava completamente, totalmente, irremediavelmente ligado ao que eu tinha que decidir. E eu ficava lá sem definir porcaria nenhuma. Claro que ela não ia se gastar por nada. Principalmente se não ia realizar o que eu pedi.

Não dá pra dizer que eu decidi 100% qual dos caminhos seguir, mas a verdade é que pelo menos eu sei que a fitinha do Bonfim não ia me sacanear, e que esse é o jeito dela de dizer:

TE VIRA, O FUTURO É SEU, EU SÓ TOU AQUI SUPERVISIONANDO!


Vou ter que lavar uma escadaria em Salvador, depois dessa epifania.

22 de outubro de 2007

I cannot condone a course of action that will lead us to boredom

O bom de morar sozinha é poder fazer o que você quiser, da maneira que quiser, sempre que quiser, sem precisar negociar nada. E a negociação pode ser até fácil e rápida, mas é existente, sempre, quando você mora com alguém. Seja amigo, colega, namorado, etc. Só se salvam os gatos, que não se importam com o que você faz. Até os cachorros precisam ser levados em conta.

Mas o lado não tão bom é a solidão. Você chega em casa, ninguém está. Você sai de casa, ninguém dá tchau. Você vai cozinhar, é só pra você. Você vê um filme, ninguém ri junto.

Claro, você sempre pode chamar um amigo, mas não é a mesma coisa. Os amigos eventualmente se levantam e dizem que está tarde e que precisam ir embora. Ou então vão ficando mesmo após você ter perdido a vontade de ter companhia, e você precisa continuar entretendo a pessoa, já que ela não mora com você. Não que dividir apartamento ou ser casada seja fantástico, mas é fato que, se você quer companhia, fica mais fácil. E se você estiver num momento quieto, é só falar. Pelo menos é assim que deveria funcionar.

Eu gosto de morar sozinha, mas tá começando a cansar. Queria alguém pra ver TV comigo.

10 de outubro de 2007

Redescoberta

Quando eu seguia essa carreira mágica de jornalista de Internet, meu nome estava no Google facinho. Claro, quando você assina artigos constantemente, você tá sujeita ao crawleamento dos sites de busca.

Eu também tive uma época de blogueira com following, numa época em que blog ainda era algo com glamour e sem ganhar dinheiro postando sobre a Vanessa Hudgens ou disponibilizando CDs pra download. Ah, a época dos blogs com conteúdo! Tempos áureos.

Ou não. Praticamente todo o conteúdo era lixo.

Mas enfim, com isso, meu nome ficou gravado na web pra sempre. E embora já exista até uma maldita loja de sapatos bregas com meu nome, eu ainda ganho no quesito quantidade de links. Há!

O melhor não foi encontrar os links pelos quais eu sou culpada, mas sim os links que estão relacionados comigo mas dos quais eu nem sabia.

Por exemplo: alguém gostou de um conto meu.

A Secretaria de Turismo de Sergipe noticiou a notícia que seria publicada.

Outra pessoa falou coisas adoráveis sobre um post do meu antigo blog, o Sakura no Hana.

Já essa pessoa acha que eu sou anti-semita. (Dá um Ctrl+F por Laura Prado, é mais fácil)

A Polícia de Goiás gostou da minha explicação sobre O Dia das Mães.


Além disso, você sempre pode achar um sem número de entries enciclopédicas sobre seriados, filmes, etc, no Almaque da Folha Online; reportagens para crianças na Folhinha Online; e turismo no Especial de Verão de 2003... Ah, o verão de 2003!

Depois de tudo isso, só tem uma coisa que eu posso dizer: eu me acho. E você também pode me achar na web, mas eu já mastiguei tudinho pra você, querido leitor.

13 de agosto de 2007

Webcomics que eu gosto

Hoje, meu blog traz até você, leitor dileto e desocupado, uma seleção dos melhores webcomics da intahweb. Claro, os que eu acho melhores. Deixando claro pra mostrar que existe uma comunicação autêntica e que é sempre melhor usar a coluna da esquerda.


1. XKCD









Fácil o top 1 da minha lista. É normal você ter um amigo que não entende todas as tirinhas, porque elas são voltadas para um público nerd com sentimentos. Isso sim é long tail. Eu não entendo nenhuma das que trazem fórmulas ou teoremas matemáticos. Pra isso, eu tenho o Carlosa.
http://www.xkcd.com


2. Achewood














Difícil achar um quadrinho mais sem nexo. As histórias geralmente têm começo, meio e fim, mas você tem que topar um mindset em que o mundo real não existe, numa cidade chamada Achewood, onde vários animais vivem, dirigem carros e vivem na casa de um cara chamado Chris.

O romance do Phillipe com a Ultrapeanut é definitivamente o ponto alto até o momento. O Liebot dizendo para o Phillipe qual é a coisa mais triste é concorrente forte, também. Assim como The Great Outdoor Fight: 3 Days, 3 Acres, 3,000 Men.


3. Penny Arcade











Pra nerds, definitivamente, mas só para aqueles que conseguem ter um pouco de senso de humor. Aliás, um muito é bem melhor. Se seu colega não consegue acreditar que a maioria dos filmes baseados em quadrinhos realmente é uma bela porcaria, não mostre pra ele. Se sua namorada acha que videogame é uma perda de tempo, mostre pra ela. Se você nunca ouviu falar do Fruit Fucker, está perdendo seu tempo.
http://www.penny-arcade.com

25 de julho de 2007

Comédia Stand Up

Estou feliz pra caramba. Finalmente começaram a aparecer shows de stand up em São Paulo. Não sei quando foi que eu comecei a achar stand up legal. Deve ter sido quando comecei a ver SNL ou Seinfeld. Antes, eu nem sabia que existia.

Faz algum tempo, inventaram o Clube da Comédia. Começou num bar ali no Itaim, mudou para o Avenida Club, se não me engano, e agora está no Bleeker Street, na Vila Madalena. O local é ótimo, tem um clima bom, tamanho quase certo. Só não é mais certo porque fica simplesmente lotado na noite do Clube.

São quatro humoristas que estão sempre por lá (ou quase sempre), e um apresentador, Marcelo Mansfield. As piadas dele nem sempre são boas, mas quando são também, é de matar de rir. Já o cast regular tem três pessoas excelentes e uma que beira o insuportável. Mas, nada é perfeito, né? Vale a pena ver, anyway. Já fui duas vezes e só não vou mais porque é caríssimo.

Agora descobri que o Rafinha, um dos regulars do Clube e infame dono da quase finada Página do Rafinha (veja o clipe de Festa no Apê, é fenomenal), tem seu próprio show. Ele está toda sexta e sábado às 23h59 no teatro do Crowne Plaza, na Frei Caneca. E o melhor: aceita carteirinha de estudante. Comédia é cultura, sem dúvida.

Se você gosta de Seinfeld, de SNL, do Woody Allen, ou simplesmente gosta de rir de coisas realmente engraçadas e que não envolvem gente com a língua colada num poste gelado ou tendo o prepúcio preso num zíper, vale a pena aparecer lá.