Eu sou fã de manuais. Comprei uma linda camera nova (Pentax K10d) e, claro, antes de qualquer operaçao mais elaborada (claro que tirei uma foto assim que abri a caixa!), eu li o manual de cabo a rabo.
Primeiro, porque eu tou me cagando de medo de estragar esse investimento. Porque camera de 1500 reais nao é so uma camera, é um investimento. Segundo, porque toda a ideia de comprar uma reflex digital se baseia em querer tirar fotos melhores. E tirar fotos melhores, nesse caso, se baseia em usar os recursos que a camera disponibiliza. A outra camera ja nao dava mais conta do recado, ou leia-se, da criatividade exarcebada que eu tenho.
Mas uma coisa era certa ate segunda-feira passada. Eu nunca tinha lido as instruçoes do frasco de condicionador.
Ok, talvez eu ja tivesse lido, mas nunca levei a serio.
Eu sempre reclamei do meu cabelo. Sempre a velha historia: quem tem cabelo liso quer cacheados, quem tem cacheados, quer lisos. E quem tem cabelo dificil sonha com um produto que resolva todos os problemas do universo. Nao sou diferente.
Eu tenho um historico muito complexo com condicionadores. Ate uns dois anos atras, eu achava que condicionador era desnecessario, que deixava o cabelo pesado e gosmento. Meu negocio eram os leave-in, pos-banho, sem enxague, fazedores de cachos.
Meu cabelo sempre ficou ou palha ou gosmento.
Ha uns dois anos eu resolvi que usar condicionador era na verdade uma ajuda ao meu cabelo. Comecei a usar, em conjunto com o leave-in. Tudo em quantidades extremamente parcimoniosas. Tinha medo absoluto de melar meu cabelo e parecer que nao lavei nada. Entao meu cabelo virava cabelo de milho, de tao seco.
E, com isso tudo, eu passei muito tempo pulando de hidrataçao para hidrataçao, gastando os tubos no cabeleireiro, tentando deixar meus cabelitos sedosos como os de comercial. E nada adiantava 100%. Fazia uma hdirataçao, mas duas lavagens depois, meu cabelo voltava a ser uma caca dificil de cuidar.
Um dia, comprei o tal Elseve Volume Control. Ele promete 18h de hidrataçao e cabelo no lugar. Comprei o shampoo e o leave-in.
Nao sei se voce esta esperando um comercial nesse ponto da historia, mas a verdade é que nao adiantou de nada. Foi so mais um shampoo que eu gastei dinheiro com.
Vai dai que, um certo dia, ha nao mais que uma semana (calma, o apice da historia ja vem), eu resolvi, em nome da ecologia e da economia de recursos naturais, fazer algo que nunca tinha feito: desligar a agua enquanto lavava o cabelo.
Eu tomo banho de maneira muito regrada, para que dure o minimo possivel: entro, molho o cabelo, passo shampoo, tiro shampoo. Passo condicionador e enquanto ele age, eu tomo o banho propriamente dito. Cinco minutos para todo o processo e mais dois pra tirar o condicionador.
Nesse dia abençoado em que resolvi desligar o chuveiro, eu demorei mais que o normal. Como a agua estava desligada, nao me senti culpada de passar mais alguns minutos no chuveiro, lavando o corpo com sabonete, depois passando oleo hidratante, toda essa historia magia e perfumada. Com isso, o condicionador ficou no cabelo os tres minutos proverbiais.
Quando sai do banho e sequei o cabelo, processo regular de passar hidratante no corpo, leave-in no cabelo, make-up and all, notei que estava facinho de pentear. E isso nao é pouca coisa quando se tem um cabelo como o meu. Fui embora.
Sai na rua, cabelos ao vento, o que é sempre um grande desastre pra mim. Cheguei no trabalho, cachos formando. Secou-se o cabelo e a grande surpresa: cabelos no lugar, cachos lisinhos (a compreensao do que sao cachos lisos so é possivel para quem tem cabelo cacheado)!
Passada, sem entender, so achei que era um good hair day. Fiquei na boa.
Dia seguinte, mesmo processo, mesmo cabelo. Dia proximo, processo de urgencia, cabelo antigo.
Como Arquimedes na banheira, eu no meu chuveiro, no dia seguinte, gritei comigo mesma. "Eureka! O condicionador!"
Claro, é obvio, dirao alguns. Pra mim, passava longe do obvio. Nunca achei que condicionador resolvesse nada.
Agora, eu ando com os cabelos ao vento, cacheados e esvoaçantes, fazendo inveja em quem tem cabelo liso, sem ficar falando "ah, mas eu queria mesmo era ter cabelo como o seu...". Se eu falar isso, hoje, é por educaçao. Amo meu cabelo.
E tudo porque eu SEGUI AS INSTRUÇOES DA EMBALAGEM.
Consulte sempre o manual de instruçoes.
Problemas domésticos e nerdices
31 de janeiro de 2008
Quando se segue as regras da vida
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by lorisgirl às 01:24 2 comentários
18 de dezembro de 2007
Lógica
Sandy e Junior acabou. Agora o Junior vai se lançar solo (assim como a Sandy) com o nome de Junior Lima.
Eu só queria externar que isso me deixa bem nervosa, uma vez que se você é um júnior, supostamente você tem todo um nome que vem ANTES do Jr., e não pode vir nada depois.
Era só isso mesmo. Obrigada pela atenção.
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by lorisgirl às 13:14 2 comentários
27 de novembro de 2007
Just Recently Lost Something of Importance
Essa música, caramba, eu nunca tinha lido a letra. As músicas certas têm um jeito de aparecerem na sua vida quando elas significam algo. Eu já ouvi essa algumas vezes, por ser parte de um disco que eu adoro, mas nunca tinha parado pra realmente ouvir. E quando você ouve, você percebe. É bem melodramática, mas tem alguns sentimentos muito claros, que eu vou assinalar em negrito:
Look who's talking to their shadow like one who hasn't got a friend
Like somebody with a broken heart that is never gonna mend
Look who's walking through the night in the rain like one who's under a spell
Like somebody with a lot on their mind, but no one to tell
Everyone you see seems so happy and carefree
They've found someone to love, but you are alone
Look who's flipping through the photographs of those happier days
Only losing something beautiful could make a person feel this way
Everyone you see seems so happy and carefree
They've found someone to love, but you are alone
Look who's talking to their shadow like one who hasn't got a friend
Like somebody with a broken heart that is never gonna mend...
Embora eu não just recently lost something of importance, dá pra reconhecer sentimentos recorrentes nesses dois trechos assinalados. Não são coisas chororó (embora o resto da música seja muito), são constatações honestas de como você se sente às vezes. Como eu me sinto às vezes. Essa parte de ter um monte de coisas na cabeça e ninguém pra contar é crucial. Às vezes, num fim de semana, tudo que falta é alguém a quem contar.
E não me venham os casados dizer que "meu, você não sabe a sorte que você tem por ter sua casa só pra você, seus pensamentos só pra você". Ninguém nunca está feliz com o que tem, então é a mesma reclamação que eu faço, mas backwards.
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by lorisgirl às 20:58 0 comentários
14 de novembro de 2007
Os Óculos da Sorte
Eu agora tenho que usar óculos full time. Não mais só para ler no computador ou afins. Isso porque meu grau aumentou horrores e não dá mais pra não andar com ele na rua.
O pior foi a saída do oftalmo. Ele disse "use o tempo todo", me deu a receita pra nova lente e eu saí. Foi automático. Passei pela porta do consultório e guardei os óculos. Na minha cabeça eles são só pra ler. Parei no hall do elevador e aí eu ouço "Cadê seus óculos?". Olho pro lado e era o oftalmo. Coloquei rapidinho, dei um sorriso e quando o elevador chegou, tropecei achando que a porta estava um centímetro mais pro lado. Desci a escada na frente do prédio segurando no corrimão, porque o chão não estava onde deveria.
É difícil acostumar com essa moldura na visão. O tempo todo eu percebo a existência desse aro vermelho em volta do que eu estou vendo, não sei se devo olhar por baixo dele ou por cima, em algumas ocasiões. Lembro sempre de um documentário, "Olhos - Janela da Alma", em que falam sobre visão, em todos os sentidos metafísicos. Daí perguntam pro Saramago, logo pro Saramago, como é a visão, o que é a visão. E ele fala sobre os óculos dele serem delimitadores do campo visual, que colocam as coisas em foco, mostram pra ele onde olhar, como nas marcações do visor de uma câmera, e que ele não quer ver nada sem o auxílio deles. Mas, claro, se eu tivesse um óculos daquele tamanho, nem perceberia os limites da lente.
Também não sei se devo usar os óculos quando vou ao banheiro, quando como. Comer de óculos é complicado: se a comida for quente, embaça a lente. Se for sopa, espirra na lente. E no banheiro, faz diferença se eu faço xixi de óculos? Não tem muito que eu precise ver. Eu poderia ir no banheiro na total escuridão, até onde me consta.
Eu já mandei fazer uma armação mais leve e que não escorregue o tempo todo do rosto. Essa que eu tenho é armação de balada. Serve pra ficar no rosto por um tempo, mas se meu dia envolver qualquer movimentação numa escala mais intensa do que ir buscar um café, o óculos vai parar na ponta do nariz.
Essa é a primeira parte de um episódio de The Critic, o melhor desenho já criado. Nesse episódio, o filho do Jay, o crítico, se apaixona por uma garotinha cubana. Mas ela decide voltar para Cuba e ele vai atrás dela. Ele tem 10 anos, só pra constar. O presente que ele dá pra ela e que ganha a menina de vez são aquelas borrachinhas que todo óculos normal têm e que mantém o dito no lugar certo, sem escorregar do nariz. Os óculos em Cuba não tinham isso, percebam. As outras duas partes do episódio estão nos vídeos relacionados. The Critic é sensacional.
A moral da história é que realmente é impossível conviver com um óculos que não gruda bem no nariz, e esse aqui, por mais lindo que seja, não gruda. A outra moral é que eu também me apaixonaria por alguém que fizesse algo tão vital por mim como encontrar um método de manter meus óculos no lugar onde eles devem ficar.
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by lorisgirl às 22:16 0 comentários
2 de novembro de 2007
Starfleet Command is calling ou Sociologia de Almanaque Por Trás dos Uniformes Femininos de Star Trek
Quero muito um uniforme do Star Trek, para as festas à fantasia. Tava vendo no site da USS (http://www.ussbrazil.com) que eles têm uniformes da série original, de Nova Geração e de Voyager.
Cadê uniforme de Enterprise?? Aquele macacão é bacanérrimo.
E você vê a diferença na figura da mulher ao longo das décadas. No original, de 66, a Uhura usava um vestidinho mini rodadinho. Uma roupa totalmente adequada à missão da Enterprise, claro. Você espera que cientistas uniformizados e militarizados usem roupas condizentes. Pelo menos uma saia-lápis até o joelho, vá lá.
Mas se você pensar que o capitão Kirk estava sempre correndo atrás de alguma alienígena humanóide, então você se lembra que os anos 60 foram uma loucura e c'est la vie.
Daí você vê os uniformes de Nova Geração, end of the 80s, comecinho dos 90s. Na indecisão comum da virada de século, algumas mulheres usavam mega decotes e outras um uniforminho básico. Claro que as de decote eram sempre as novinhas.
Já em Deep Space Nine e Voyager a coisa era um pouco diferente: DS9 regularizou a situação, colocando todos com o mesmo tipo de uniforme, mesmo tipo de gola, nada de sainhas, nada de frangagem. E em Voyager, a presença de uma capitã, primeira vez na televisão brasileira, não permitia você sair mostrando as mulheres seminuas. Mas, claro, você pode pegar uma ex-borg e colocar numa roupa prateada colante, porque afinal ela era borg até a semana passada. Esse conceito de sexualidade pra ela é novidade.
E, por fim, você tem Enterprise, nos anos 2000, quando sexo é tudo e sede é nada. Parece que realmente a gente vive num momento de cabeça-oquice incrível. A única neura que existe é a de não tomar um processo. E nesse você tem os dois lados da moeda: a Hoshi usa o uniforme da galera, é boazinha, se apaixona pelo Phlox, e tem bom coração, e a T'Pol é tão lógica que irrita, vulcanicamente imersa no trabalho dela e na supressão dos sentimentos, mas usa um uniforme tão colado que poderia ser pintado no corpo dela e teria o mesmo efeito, e decotes que tem a mesma profundidade do espaço sideral. Mas tudo bem, eu também queria um uniforme da T'Pol da quarta temporada. Ego é tudo.
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by lorisgirl às 00:15 0 comentários
8 de agosto de 2007
Fim dos vídeos
Acabou. Foi um surto temporário.
Agora, uma divagação extremamente intelectualizada e contemporânea, em compasso com os mais recentes desenvolvimentos da sociedade e do pensamento niilista.
Por que, oh, por que, ninguém nunca está feliz?
Eu estou infeliz porque gostaria de um relacionamento sério.
Meus amigos são infelizes porque estão num relacionamento sério, mas gostariam de estar livres pra agarrar quem passasse na frente.
Meus gatos estão infelizes porque eu troquei a marca da ração.
Veja bem, a outra custava quase o dobro.
O que é preciso para que todos se dêem bem e para que todos possam ter o que querem sem irritar os outros, sem precisar encher o saco?
Meu primeiro impulso foi: não há uma distribuição justa de plástico-bolha no país. Claro, isso resolveria 85% do problema. Mas e os outros 15%?
Então me ocorreu. Era tão óbvio, mas eu não percebi antes. Estava na minha frente.
A televisão.
Se eu passasse todo o tempo que gostaria na frente da televisão, não teria tempo de me preocupar e ser infeliz. Nem de magoar pessoas ou ser obtusa, esquecer aniversários, coisas dessa ordem. Ninguém teria.
Agora, se ao menos eu conseguisse um meio de não ter que sair de casa e poder deixar a TV ligada no Scrubs o dia todo...
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by lorisgirl às 00:03 1 comentários
3 de abril de 2007
Nature Boy
A melodia é o melhor dessa música, fácil. Só a primeira estrofe, que tem um andamento fantástico, na hora da frase
"They say he wandered very far
Very far, over land and sea"
A música toda é sensacional. Triste que só a peste.
"The greatest thing you’ll ever learn
Is just to love and be loved in return."
É isso, será?
I fall in love too easily. I fall in love too fast. I fall in love too terrible hard for love to ever last.
A lista de músicas do Musicovery hoje não cooperando comigo. Essa versão do Chet Baker, se eu não estivesse com tanto sono, me faria chorar mais que a versão da Ella Fitzgerald. Quem seja que cante parece bem mais deprimido do que ela. Acho que eu sou empática demais. Eu choro porque pessoas em músicas estão tristes. Eu estou, na verdade, bem alegre hoje. Dá pra notar?
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by lorisgirl às 00:35 0 comentários
2 de abril de 2007
As coisas que eu tenho que aguentar...
Poucos filmes têm título tão mal traduzido quanto "Perfect Stranger". Virou "A Estranha Perfeita". Na hora já pensei que fosse um filme sobre uma estranha que chega numa comunidade no meio do deserto e é simplesmente perfeita: linda, simpática, terrivelmente educada, trabalhadora, líder nata. Todos os locais começam a acreditar em qualquer coisa que ela fala. Mas um deles sabe a verdade. Sabe que ela tem um laço de sangue com alguém crucial da cidade e que chegou com a intenção de conquistar a todos para poder, enfim, vingar-se do homem que abandonou sua mãe quando ela tinha apenas cinco anos, o que levou sua mãe a se suicidar. Toda a cidade está apaixonada pela personalidade magnética dela. O homem que sabe da verdade era o xerife que cuidou do caso quando a mãe dela se matou e todos acreditaram que ela tinha matado a mãe. Ele sabe quem ela é, mas ela não sabem quem ele é. Seu plano de vingança fica claro, mas a cidade continua acreditando em toda sua pureza e qualidades. É o momento.
Em vez disso, é um filme sobre uma franga que resolve se meter na Inthaweb pra descobrir como funciona porque uma amiga sua morreu ao ir conhecer um tarado de bate-papo. De "incógnita" a mulher vira uma estranha perfeita.
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by lorisgirl às 21:20 0 comentários