Essa casa onde moro não é exatamente um primor de qualidade no acabamento. As janelas são barulhentas, a pintura dos batentes está completamente descacada, tem tacos soltos pela casa toda e a fiação é tão velha que uma vez eu liguei dois George Foremans grills ao mesmo tempo e acabou com a luz da casa.
Mas a pior coisa mesmo é a parte hidráulica. Todas as torneiras são de péssima qualidade, as mesmas desde quando o apartamento foi construído, em 1970. No banheiro, as torneiras não fecham 100%. O misturador da direita não se pode nem abrir, porque não fecha nunca mais. A torneira em si está toda enferrujada. Pensei em trocar, mas quando descobri que custava uns R$ 150 para comprar o jogo novo, eu achei melhor deixar pro próximo inquilino. O chuveiro eu nem olhei, troquei no dia que mudei, porque o anterior estava nojento.
Agora, a da cozinha vinha me dando um olhar de "eu vou ferrar com a tua vida" há algum tempo já. Ela nunca foi fácil de fechar, ficava gotejando se você não desse uma violência extra nela. Mas ok, como a casa não é minha, dane-se, eu sempre dava a violência extra e deixava estar.
Só que ontem à noite, quando voltei pra casa e resolvi fazer macarrão, quando fui pegar água, me dei conta que a torneira estava especialmente difícil de abrir. A faxineira esteve aqui no sábado, achei que ela tivesse sido excessivamente zelosa com a torneira e forcei pra abrir. Não cheguei a tomar um banho, mas a pia ficou totalmente espirrada de água.
Tomei um susto, mas ok. Diminuí a vazão e enchi a panela.
Na hora de fechar, surpresa surpresa: não fechava. Simplesmente não fechava. Rodava até certo ponto a manivelinha e parava lá, saindo um montão de água ainda. Não era um gotejamento, era o tanto de água que eu abro pra encher a chaleira. Entrei em pânico na mesma hora.
Tentei apertar mais, minha mão doeu mais que tudo. Tentei abrir até o fim e voltar, descobri que agora ela fechava menos ainda. Muito mais água saindo e ela tinha ficado ainda mais difícil de fechar. Verdadeiro pânico. Tanto trabalho para economizar água no banho e dá nisso.
Desliguei o registro da cozinha e pensei "dane-se, amanhã eu vejo isso". E a água saindo lá.
Eu cheguei à conclusão que, no atual orçamento, chamar um encanador pra isso era impensável. Não sei quanto eles cobram, mas eu estava certa de que trocar uma torneira era algo que eu poderia fazer. Com a ajuda de experts na área (minha mãe), fui até o Leroy e comprei uma nova torneira e veda-rosca.
Comprei uma torneira alta demais, o que não foi nem um pouco legal. Cheguei em casa e vi que, embora tivesse calculado bem a distância da parede até a saída da torneira, não pensei na altura. Agora eu tenho uma torneira-fonte, porque a água cai espirrando pra todos os lados, por causa da distância da cuba.
Troquei, bonitamente, a torneira. Ela agora fecha direitinho. Só que agora o vazamento está na parede.
Eu fechei de novo o registro e vou chamar um encanador na segunda-feira.
Problemas domésticos e nerdices
17 de fevereiro de 2008
Minha torneira pediu água
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casa
by lorisgirl às 14:07 3 comentários
9 de fevereiro de 2008
A vida é nóis, meu
Meus acentos estão de volta. Só por isso, eu já gostaria de poder escrever um texto somente com palavras acentuadas.
É fácil, ahá! Simpático também, não? Acentuação não dá pânico, dá solução!
Enfim, eu adoro ter os acentos de volta. Nada mais de "eh" em lugar de é.
Em tempo: parei de assinar a Vogue, agora assino a revista Língua Portuguesa. Mais texto, menos foto.
by lorisgirl às 01:10 0 comentários
31 de janeiro de 2008
Fotos com a nova camera
Conforme informado anteriormente, segue foto tirada com a camera nova. Eu ainda estou penando com ela. Mas estou relembrando todas coisas que o Zanetti ensinou na faculdade.
by lorisgirl às 16:36 1 comentários
Quando se segue as regras da vida
Eu sou fã de manuais. Comprei uma linda camera nova (Pentax K10d) e, claro, antes de qualquer operaçao mais elaborada (claro que tirei uma foto assim que abri a caixa!), eu li o manual de cabo a rabo.
Primeiro, porque eu tou me cagando de medo de estragar esse investimento. Porque camera de 1500 reais nao é so uma camera, é um investimento. Segundo, porque toda a ideia de comprar uma reflex digital se baseia em querer tirar fotos melhores. E tirar fotos melhores, nesse caso, se baseia em usar os recursos que a camera disponibiliza. A outra camera ja nao dava mais conta do recado, ou leia-se, da criatividade exarcebada que eu tenho.
Mas uma coisa era certa ate segunda-feira passada. Eu nunca tinha lido as instruçoes do frasco de condicionador.
Ok, talvez eu ja tivesse lido, mas nunca levei a serio.
Eu sempre reclamei do meu cabelo. Sempre a velha historia: quem tem cabelo liso quer cacheados, quem tem cacheados, quer lisos. E quem tem cabelo dificil sonha com um produto que resolva todos os problemas do universo. Nao sou diferente.
Eu tenho um historico muito complexo com condicionadores. Ate uns dois anos atras, eu achava que condicionador era desnecessario, que deixava o cabelo pesado e gosmento. Meu negocio eram os leave-in, pos-banho, sem enxague, fazedores de cachos.
Meu cabelo sempre ficou ou palha ou gosmento.
Ha uns dois anos eu resolvi que usar condicionador era na verdade uma ajuda ao meu cabelo. Comecei a usar, em conjunto com o leave-in. Tudo em quantidades extremamente parcimoniosas. Tinha medo absoluto de melar meu cabelo e parecer que nao lavei nada. Entao meu cabelo virava cabelo de milho, de tao seco.
E, com isso tudo, eu passei muito tempo pulando de hidrataçao para hidrataçao, gastando os tubos no cabeleireiro, tentando deixar meus cabelitos sedosos como os de comercial. E nada adiantava 100%. Fazia uma hdirataçao, mas duas lavagens depois, meu cabelo voltava a ser uma caca dificil de cuidar.
Um dia, comprei o tal Elseve Volume Control. Ele promete 18h de hidrataçao e cabelo no lugar. Comprei o shampoo e o leave-in.
Nao sei se voce esta esperando um comercial nesse ponto da historia, mas a verdade é que nao adiantou de nada. Foi so mais um shampoo que eu gastei dinheiro com.
Vai dai que, um certo dia, ha nao mais que uma semana (calma, o apice da historia ja vem), eu resolvi, em nome da ecologia e da economia de recursos naturais, fazer algo que nunca tinha feito: desligar a agua enquanto lavava o cabelo.
Eu tomo banho de maneira muito regrada, para que dure o minimo possivel: entro, molho o cabelo, passo shampoo, tiro shampoo. Passo condicionador e enquanto ele age, eu tomo o banho propriamente dito. Cinco minutos para todo o processo e mais dois pra tirar o condicionador.
Nesse dia abençoado em que resolvi desligar o chuveiro, eu demorei mais que o normal. Como a agua estava desligada, nao me senti culpada de passar mais alguns minutos no chuveiro, lavando o corpo com sabonete, depois passando oleo hidratante, toda essa historia magia e perfumada. Com isso, o condicionador ficou no cabelo os tres minutos proverbiais.
Quando sai do banho e sequei o cabelo, processo regular de passar hidratante no corpo, leave-in no cabelo, make-up and all, notei que estava facinho de pentear. E isso nao é pouca coisa quando se tem um cabelo como o meu. Fui embora.
Sai na rua, cabelos ao vento, o que é sempre um grande desastre pra mim. Cheguei no trabalho, cachos formando. Secou-se o cabelo e a grande surpresa: cabelos no lugar, cachos lisinhos (a compreensao do que sao cachos lisos so é possivel para quem tem cabelo cacheado)!
Passada, sem entender, so achei que era um good hair day. Fiquei na boa.
Dia seguinte, mesmo processo, mesmo cabelo. Dia proximo, processo de urgencia, cabelo antigo.
Como Arquimedes na banheira, eu no meu chuveiro, no dia seguinte, gritei comigo mesma. "Eureka! O condicionador!"
Claro, é obvio, dirao alguns. Pra mim, passava longe do obvio. Nunca achei que condicionador resolvesse nada.
Agora, eu ando com os cabelos ao vento, cacheados e esvoaçantes, fazendo inveja em quem tem cabelo liso, sem ficar falando "ah, mas eu queria mesmo era ter cabelo como o seu...". Se eu falar isso, hoje, é por educaçao. Amo meu cabelo.
E tudo porque eu SEGUI AS INSTRUÇOES DA EMBALAGEM.
Consulte sempre o manual de instruçoes.
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indignações,
vida
by lorisgirl às 01:24 2 comentários
29 de janeiro de 2008
28 de janeiro de 2008
Estou apaixonada e agora eh serio
Comprei uma camera nova. Uma Pentax K10D. Estou completamente apaixonada por ela. Vou sumir do convivio com os amigos, vou ignorar festas pra ficar com ela. Vou passar finais de semana me divertindo em casa ate aprender a mexer direitinho. Depois ela vai quebrar e eu vou perceber que existem outras coisas na vida e que esse tempo todo eu estive ignorando todas as outras coisas a minha volta. Mas ate la, eu vou ficar com ela.
Goooodnight, everybody!
by lorisgirl às 00:06 3 comentários
19 de janeiro de 2008
Yamandu Costa biônico
Fui ao show do Yamandú Costa com o Hamilton de Holanda. Os dois tocam muito. Simplesmente inegável a química que existe entre eles, e como eles conseguem se comunicar sem trocar uma palavra. E são ambos mestres, virtuosos sem serem patéticos como o Malmsteen.
Quando o Yamandu toca, fica difícil ver as mãos dele. Rápido demais. Ele movimenta as mãos do mesmo modo que o Super-Homem uma vez voou em volta da Terra para parar o tempo. Se eles continuassem tocando, tenho certeza de que tudo começaria a acontecer mais devagar até que tudo pararia e nos seriamos jogados pra fora do globo pela inércia.
Mas uma coisa que me veio a cabeça quando estava assistindo foi o seguinte: ele tem um controle absurdo sobre onde os dedos dele devem ir pra fazer uma música bonita e tocar milhões de notas ao mesmo tempo. Ele consegue guardar centenas de melodias completas na cabeça. Ele não tinha partitura, nada. Só saía tocando. Basicamente, o cérebro dele e as mãos estão em total e irrestrita sintonia.
Continuando o raciocínio, e se, e apenas e se, existisse um gênio violonista como ele, um cara sensacional, mas que perdesse a mão num acidente. Triste e tal, mas e blá, existindo tecnologias pra criar novos dedos, será que ele conseguiria imprimir a mesma emoção, técnica e qualidade na música?
Será que seria como tocar com a mão de outra pessoa? Ou como comandar um computador a fazer algo? Por mais que seu cérebro seja o controlador dos impulsos da prótese, quão fidedigno será o impulso do cérebro quando chegar ao fim do caminho?
Um computador pode jogar xadrez e ganhar de um mestre. Um computador pode se tornar um virtuoso da música? Pode improvisar, fazer uma jam com um outro músico? Isso já nada tem a ver com os dedos biônicos não. Fico pensando na sintonia entre o Yamandú e o Hamilton. Pode um computador ser programado tão sofisticadamente que ele perceba intenções num olhar, para poder jammear?
Incrível tudo isso que a tecnologia já pode fazer hoje pela humanidade, e mais incrível ainda e o quanto ainda existe para ser feito. Supondo que será feito, claro. Mas algumas coisas são melhores como mistérios da vida. Não quero que descubram como ser genial em algo apenas acoplando uma máquina. Não quero viver na Matrix.
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by lorisgirl às 01:23 0 comentários