Problemas domésticos e nerdices

14 de novembro de 2007

Os Óculos da Sorte

Eu agora tenho que usar óculos full time. Não mais só para ler no computador ou afins. Isso porque meu grau aumentou horrores e não dá mais pra não andar com ele na rua.


O pior foi a saída do oftalmo. Ele disse "use o tempo todo", me deu a receita pra nova lente e eu saí. Foi automático. Passei pela porta do consultório e guardei os óculos. Na minha cabeça eles são só pra ler. Parei no hall do elevador e aí eu ouço "Cadê seus óculos?". Olho pro lado e era o oftalmo. Coloquei rapidinho, dei um sorriso e quando o elevador chegou, tropecei achando que a porta estava um centímetro mais pro lado. Desci a escada na frente do prédio segurando no corrimão, porque o chão não estava onde deveria.

É difícil acostumar com essa moldura na visão. O tempo todo eu percebo a existência desse aro vermelho em volta do que eu estou vendo, não sei se devo olhar por baixo dele ou por cima, em algumas ocasiões. Lembro sempre de um documentário, "Olhos - Janela da Alma", em que falam sobre visão, em todos os sentidos metafísicos. Daí perguntam pro Saramago, logo pro Saramago, como é a visão, o que é a visão. E ele fala sobre os óculos dele serem delimitadores do campo visual, que colocam as coisas em foco, mostram pra ele onde olhar, como nas marcações do visor de uma câmera, e que ele não quer ver nada sem o auxílio deles. Mas, claro, se eu tivesse um óculos daquele tamanho, nem perceberia os limites da lente.

Também não sei se devo usar os óculos quando vou ao banheiro, quando como. Comer de óculos é complicado: se a comida for quente, embaça a lente. Se for sopa, espirra na lente. E no banheiro, faz diferença se eu faço xixi de óculos? Não tem muito que eu precise ver. Eu poderia ir no banheiro na total escuridão, até onde me consta.


Eu já mandei fazer uma armação mais leve e que não escorregue o tempo todo do rosto. Essa que eu tenho é armação de balada. Serve pra ficar no rosto por um tempo, mas se meu dia envolver qualquer movimentação numa escala mais intensa do que ir buscar um café, o óculos vai parar na ponta do nariz.



Essa é a primeira parte de um episódio de The Critic, o melhor desenho já criado. Nesse episódio, o filho do Jay, o crítico, se apaixona por uma garotinha cubana. Mas ela decide voltar para Cuba e ele vai atrás dela. Ele tem 10 anos, só pra constar. O presente que ele dá pra ela e que ganha a menina de vez são aquelas borrachinhas que todo óculos normal têm e que mantém o dito no lugar certo, sem escorregar do nariz. Os óculos em Cuba não tinham isso, percebam. As outras duas partes do episódio estão nos vídeos relacionados. The Critic é sensacional.

A moral da história é que realmente é impossível conviver com um óculos que não gruda bem no nariz, e esse aqui, por mais lindo que seja, não gruda. A outra moral é que eu também me apaixonaria por alguém que fizesse algo tão vital por mim como encontrar um método de manter meus óculos no lugar onde eles devem ficar.

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